Impérios
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As festas em honra do Divino Espírito Santo na Terra Chã são acontecimentos populares
e implicam necessariamente falar da origem dos Impérios. A grande religiosidade
de um povo como o nosso, inspira frequentemente diversos actos que, por serem únicos,
passam á história e se tornam práticas colectivas, como é o caso destes festejos.
A sua origem remonta ao tempo da Rainha Santa Isabel, esposa de D. Dinis, Rei de
Portugal. Tal como conta a história, a Rainha era de uma bondade impressionante,
reunia pobres á sua mesa e, em gesto de humildade, colocava sobre as suas cabeças
a coroa real. Este gesto tão espantoso deu brado, chegando até nós transportado
na mente dos nossos antepassados. A transformação de tal acto humano num de índole
divina aconteceu na Ilha Terceira e nos Açores em geral, não se sabe como nem quando.
O certo, porém, é que tomou tamanha dimensão entre o povo que este para poder realizar
a sua acção caritativa, formou as Juntas que se encarregavam de proceder á recolha
de bens para os distrbuir depois. Assim nasceram os Impérios de caridade dedicados
ao Divino Espírito Santo, que vieram a espalhar-se por todas as freguesias. Na Terra
Chã o mais antigo – o do Terreiro – data de 1861. A família dos Corvelos deixou
um legado a este Império com o fim de serem dadas, anualmente, esmolas de pão e
de carne a pobres, hospitais e asilos, na Festa do Espírito Santo. Este Império
promove as suas festas no Domingo do Pentecostes (festas do primeiro bodo) e no
Domingo da Trindade (festas do Bodo da Trindade). O Império da Canada de Belém e
o Império da Boa Hora construíram-se em 1958, embora já funcionassem anteriormente,
no início deste século, com estruturas desmontáveis, em madeira. As festas do Império
da Canada de Belém realizam-se no 5º Domingo de Páscoa, precisamente na segunda
semana antes da festa do primeiro Bodo. Na Boa-Hora as festas do império acontecem
tradicionalmente no segundo domingo a seguir ao Bodo da Trindade. Bem mais recentemente,
em 1993, foi construído o Império do Bairro Habitacional que realiza as suas festas
a meados do mês de Julho – a seguir à Festa de N.ª Sr.ª do Carmo. (Terra Chã - Roteiro cultural, 1999) |
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