Junta de Freguesia de Terra Chã

História

A Terra Chã, uma das mais novas freguesias da Ilha Terceira, consegue reunir uma série de razões para encarar o futuro com otimismo. Do passado retira a exemplar estrutura rural que a tradição pastoril consagra; ao futuro oferece a confortável proximidade urbana, a limpeza dos seus arruamentos, largos e bem desenhados, a possibilidade de expansão e o enquadramento paisagístico. Ligeiramente retirada do mar (o que é raro no povoamento dos Açores), fica na periferia das zonas de interior, próxima da cidade e próxima das matas e interiores, com vistas amenas, de altitude média, sobre um poente que dá à Terceira uma simpática situação e vizinhança do “ coração” do arquipélago, o conjunto Pico - S. Jorge-Faial. Faz parte da noção de arquipélago essa vizinhança e esse recorte de S. Jorge e Pico nos horizontes marítimos de Terra Chã. Os de terra – são a mata, a Serra (Santa Bárbara), os verdes feitos de vários verdes e castanhos que sobem a encosta. Com alguma boa vontade, num simpático exagero desculpável, se lhe chama a Sintra Terceirense.

(Terra Chã - Roteiro cultural, 1999)


Dois acontecimentos históricos


Dois acontecimentos históricos estão na origem dos nomes de dois locais da freguesia: Lugar das Casas Queimadas e Lugar das das Guerrilhas. O primeiro provém do incêndio lançado a uma casa de moradia situada numa quinta no Caminho dos Regatos , então pertencentes a André Machado Lemos, que ali vivia com a sua família. Era o ano de 1828. Os miguelistas lutavam contra os constitucionais, apoiantes do Duque de Bragança. Ao dirigir-se para as Doze Ribeiras, um emissário liberal foi atacado por um guerrilheiro que se apoderou da mensagem que aquele levava, vindo a refugiar-se na casa de André Lemos. Sabendo do acontecimento, os anti miguelistas, de espirito revoltado e sem apurar culpas, incendiaram aquela casa com todo o recheio e os próprios ocupantes. Mas, num rebate de consciência acabaram por salvar a família Machado Lemos. A sua casa ficou então conhecida por "Casa Queimada", e daí o nome ao lugar. O segundo local está na origem das guerrilhas que ocorreram na Ilha Terceira, exatamente na Terra Chã, durante a emigração liberal. Foi praticada por miguelistas que semearam a intranquilidade e a perturbação nas fileiras inimigas. Ficaram célebres dois guerrilheiros naturais da Terra Chã, "Boi Negro" e o "Rasgado". O Dr. Valadão Júnior chamou à Terra Chã na sequência de tais acontecimentos, o "alfobre de guerrilhas". Por isso, um dos seus lugares tomou o nome de Guerrilhas.

(Terra Chã - Roteiro cultural, 1999)



Festas Religiosas


Falar na história da freguesia implica necessariamente falar de festas religiosas tão intensamente vividas em cada ano na Terra Chã e cuja tradição, no essencial, ainda se mantem. A festa da padroeira, Nossa Senhora de Belém, era realizada no 2º domingo de Janeiro, por coincidir com o dia que a Igreja dedica a Santa Maria Mãe de Deus. Na quaresma a procissão do Senhor Morto é outra das solenidades religiosas que a Terra Chã celebra. A festa de Nossa Senhora do Carmo tem lugar no 1º domingo que se segue a 16 de Julho e a Festa de Santo António no 1º domingo de Agosto. Assinalavam estas festas as procissões com vários andores e os arcos primorosamente ornamentados, nos pontos principais dos percursos.

(Terra Chã - Roteiro cultural, 1999)



Impérios


As festas em honra do Divino Espírito Santo na Terra Chã são acontecimentos populares e implicam necessariamente falar da origem dos Impérios. A grande religiosidade de um povo como o nosso, inspira frequentemente diversos atos que, por serem únicos, passam à história e se tornam práticas coletivas, como é o caso destes festejos. A sua origem remonta ao tempo da Rainha Santa Isabel, esposa de D. Dinis, Rei de Portugal. Tal como conta a história, a Rainha era de uma bondade impressionante, reunia pobres à sua mesa e, em gesto de humildade, colocava sobre as suas cabeças a coroa real. Este gesto tão espantoso deu brado, chegando até nós transportado na mente dos nossos antepassados. A transformação de tal ato humano num de índole divina aconteceu na Ilha Terceira e nos Açores em geral, não se sabe como nem quando. O certo, porém, é que tomou tamanha dimensão entre o povo que este para poder realizar a sua ação caritativa, formou as Juntas que se encarregavam de proceder à recolha de bens para os distribuir depois. Assim nasceram os Impérios de caridade dedicados ao Divino Espírito Santo, que vieram a espalhar-se por todas as freguesias. Na Terra Chã o mais antigo é o do Terreiro à data de 1861. A família dos Corvelos deixou um legado a este Império com o fim de serem dadas, anualmente, esmolas de pão e de carne a pobres, hospitais e asilos, na Festa do Espírito Santo. Este Império promove as suas festas no Domingo do Pentecostes (festas do primeiro bodo) e no Domingo da Trindade (festas do Bodo da Trindade). O Império da Canada de Belém e o Império da Boa Hora construíram-se em 1958, embora já funcionassem anteriormente, no início deste século, com estruturas desmontáveis, em madeira. As festas do Império da Canada de Belém realizam-se no 5º Domingo de Páscoa, precisamente na segunda semana antes da festa do primeiro Bodo. Na Boa-Hora as festas do império acontecem tradicionalmente no segundo domingo a seguir ao Bodo da Trindade. Bem mais recentemente, em 1993, foi construído o Império do Bairro Habitacional que realiza as suas festas a meados do mês de Julho é a seguir à Festa de N.ª Sr.ª do Carmo. 

(Terra Chã - Roteiro cultural, 1999)




Hospital Militar


O Hospital Militar da Terra Chã faz parte da história desta freguesia. Situado em frente à Igreja Paroquial, começou a funcionar a 6 de Outubro de 1943. Apoiava os militares portugueses nesta Ilha, bem como os militares ingleses e até os americanos enquanto estes não tinham ainda instalações próprias na Base das Lajes. Funcionou como único Hospital da Força Aérea Portuguesa até 1975, data em que foi desativado, quando da inauguração do novo Hospital no Lumiar, em Lisboa. No seu quadro passaram nomes ilustres da medicina portuguesa que colaboravam também no Hospital de Angra.




Quintas


A Terra Chã é rica em Quintas. Ela foi, com efeito, berço de condes, viscondes e morgados. As quintas dos grandes proprietários eram constituídas por uma habitação, grandes pátios jardins bem cuidados, hortas, pomares, vinhas, campos de pastagem e chafarizes. Para cuidar das quintas existiam, além de um ou dois jardineiros, os quinteiros, que tinham a sua casa na quinta onde trabalhavam. A ilustrar esta cenário temos as quintas do Morgado Barcelos- Quinta do Rosário e Quinta das casas-, Quinta de Santa Luzia, Quinta de Nossa Senhora dos Prazeres, Quinta de Nossa Senhora da Guia e Quinta Viana. Existiram ainda outras quintas, entre as quais a da Canada do Fisher (no Pedregal), a Quinta do Loural, agora denominada Quinta do Boi Negro, que se encontra a ser reconstruída pelo atual proprietário, Dr. Mário Damiense Toste. 

(Terra Chã - Roteiro cultural, 1999)




Negócio da Laranja


O negócio da laranja foi, sem dúvida, uma grande fonte de riqueza para a freguesia da Terra Chã, onde existiram boas e belas quintas com pomares de laranjeiras. A laranjeira foi trazida para os Açores no século XVI e aqui se desenvolveu muito bem, graças ao solo e condições climáticas. A cultura da laranja espalhou-se pela Ilha Terceira. De início, era uma economia de subsistência, mas, na segunda metade do século XVII, passou a constituir uma economia de mercado. No período de 1873 a 1875, pouco mais ou menos, houve uma grande exportação de laranja para a Inglaterra, onde era comercializada. A atividade comercial nesta freguesia processava-se do seguinte modo: os comerciantes compravam as laranjas ainda nas árvores; o "cabeça do rancho" (o encarregado), fazia a avaliação dos pomares. Quando os navios ingleses estavam atracados no porto de Angra um dos homens dos comerciantes percorria as freguesias avisando "há navios!". Os homens de trabalho depressa se dirigiam aos pomares para a apanha da laranja. Esta era transportada para o porto, embalada em caixotes, separada por folhas de milho para não se esmagar. Toda a riqueza desta freguesia vinha dos seus frutos dourados, cuja abundância formava um quadro assombroso e admirável. A razão da decadência desta cultura foi a grande baixa de preços que a laranja obteve na Inglaterra e a doença que veio atacar as árvores. Há peças de louça inglesa que, ainda hoje, são herança do negócio da laranja na Terra Chã. Elas eram comercializadas em troca de fruta, tal como os exemplares aqui ilustrados.

(Terra Chã - Roteiro cultural, 1999)




Comercialização da Madeira


Apás a decadência da cultura da laranja, motivada pela grande baixa de preços na Inglaterra e pela doença que, por sua vez, atacou as árvores nos pomares, a freguesia passou a dedicar-se à comercialização da madeira. A lenha era muito utilizada pela população nos seus fornos domésticos. Então, muitos pomares foram convertidos em matas de eucaliptos, de acácias e de faias para venda das madeiras. Grande parte destas era cortada em estaleiros situados nas próprias matas, com serras de braçal, e preparada para o uso em moradias, para mobiliário, etc... Outra parte era cortada em "achas", sendo transportada para a Cidade em carros de bois e ali era trocada por géneros alimentícios, como milho, batata se feijão.

(Terra Chã - Roteiro cultural, 1999)





Negócio da Castanha


Do passado a Terra Chã herdou, em especial, pomares de castanheiros da variedade "Viana", de excelente qualidade. No decorrer de mais de um século a produção da castanha viana foi sofrendo redução devido aos ciclos de doenças que atacavam os castanheiros, a ponto de grande parte destes serem abatidos e depois aproveitados para madeira. Por este motivo e com o objetivo de preservar e valorizar a castanha viana como fruto tópico da Terra Chã e até de reconverter terrenos abandonados em novos pomares de castanheiros, a respetiva Junta de Freguesia tem vindo nos últimos nove anos, juntamente com o Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, a promover ações de sensibilização junto dos proprietários e das entidades responsáveis pelo sector.

(Terra Chã - Roteiro cultural, 1999)



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